Polícia

Novo Grupo Criminoso se Forma nos Presídios do Rio de Janeiro

O Surgimento do Primeiro Comando do Golpe

O sistema penitenciário do Rio de Janeiro pode estar enfrentando o alicerce de uma nova facção criminosa. Com a morte de Avelino Gonçalves Lima, o líder do Povo de Israel (PVI), em 2025, uma dissidência começou a se organizar nas prisões fluminenses, dando origem ao Primeiro Comando do Golpe. Este movimento já resultou em episódios de violência, como incêndios e espancamentos, destacando a fragilidade da segurança no cárcere.

Para conter a ascensão do novo grupo, a Secretaria Estadual de Polícia Penal (Seppen) ativou unidades de inteligência para monitorar os detentos e implementar medidas que incluem o isolamento dos envolvidos.

Características do Povo de Israel e do Primeiro Comando do Golpe

O Povo de Israel, uma facção originária do próprio sistema penitenciário, se distingue por compor seus membros de indivíduos que não têm ligação com as principais facções de fora, como o Comando Vermelho ou o Terceiro Comando Puro. Esses chamados “neutros” geralmente são excluídos por outros grupos, frequentemente devido a crimes como estupro ou estelionato.

Embora sua principal atividade criminosa se concentre em fraudes telefônicas, o PVI também está envolvido no tráfico de drogas dentro das prisões. Recentemente, um policial penal foi detido por supostamente colaborar com a introdução de celulares e drogas para os integrantes do grupo.

Conflitos e a Emergência de uma Nova Facção

Relatos de conflitos entre a dissidência do PVI e o novo grupo emergiram em documentos oficiais após uma vistoria no Presídio Evaristo de Moraes, em São Cristóvão.

A avaliação feita pelo Conselho Penitenciário do Estado do Rio (Cperj) revelou um ambiente marcado por medo e violência.

Detentos relataram graves agressões e a iminência de um “banho de sangue”. A superlotação do presídio, que possui capacidade para 1.497 pessoas, mas abriga 3.244, agrava a situação.

Apesar das negações da Seppen em relação às agressões, a secretaria admite que está tomando medidas para abordar o problema da superlotação.

O Caos no Presídio e o Isolamento de Líderes

Com o avanço da nova facção, mais de 60 detentos foram identificados como membros do Primeiro Comando do Golpe, que se confrontam com a facção PVI em várias unidades. Em um ataque recente, membros do novo grupo atearam fogo em uma galeria no Presídio Lemos de Brito em um esforço para controlar o espaço.

Thiago Faustino Apolinário dos Santos, conhecido como TH, um dos líderes da dissidência, foi enfocado como principal orquestrador das ações violentas.

Após esses eventos, TH e outros cinco presos foram transferidos para Regime Disciplinar Diferenciado (RDD) por suas ações dentro da unidade. A situação nos presídios do Rio de Janeiro permanece crítica, evidenciando a complexidade do sistema prisional e os desafios que ele enfrenta diante da crescente violência e organização criminosa.

Ricardo Motta

Ricardo Motta é jornalista e responsável editorial do Rio Hoje Notícias. Atua na cobertura de política, cidades, segurança pública, esportes e acontecimentos do estado do Rio de Janeiro. Contato editorial: contato@riohoje.com.br.
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