O secretário de Estado dos Estados Unidos, Marco Rubio, cobrou nesta terça-feira, 6, maior transparência da Rússia sobre a morte de uma pesquisadora de um instituto de pesquisa sobre peste na Sibéria, caso que gerou forte preocupação internacional com a saúde pública e levou centenas de pessoas à quarentena no país.
“Acho que cabe à Rússia, obviamente, compartilhar mais informações com o mundo”, afirmou Rubio durante uma entrevista coletiva em Reykjavik, na Islândia. “Estamos acompanhando a situação muito de perto, hora a hora. ”
Antes de viajar para a Europa, Rubio já havia alertado para viagens entre a Rússia e os EUA. “Obviamente, as viagens entre os dois países são muito limitadas”, afirmou. “Mas, como qualquer outra coisa, quando algo assim vaza, se espalha rapidamente”.
+ Peste negra na Rússia: o que se sabe sobre a morte de pesquisadora e quarentena em Irkutsk
Entenda o caso
A preocupação surgiu após a morte, na semana passada, de Darya Shipilova, de 28 anos, que trabalhava no Instituto de Pesquisa Antipeste de Irkutsk, na região da Sibéria. A jovem morreu depois de desenvolver uma pneumonia de origem desconhecida.
Autoridades russas afirmam, porém, que os exames não identificaram microrganismos associados às atividades profissionais da pesquisadora e descartaram, até o momento, a peste pneumônica como causa da morte. Cerca de 200 pessoas que tiveram contato com ela chegaram a ser colocadas em quarentena, sem registro de novas infecções, segundo informações divulgadas pelas autoridades locais
Em comunicado, o governador da região de Irkutsk, Igor Kobzev, disse que Shipilova morreu de “pneumonia de etiologia desconhecida”. “É importante ressaltar que, nos últimos dias, não foram identificados novos casos de funcionários do Instituto de Pesquisa Antipeste que buscaram atendimento médico”, acrescentou. Ele afirmou que a situação estava sob controle e que todos os contatos conhecidos da mulher falecida haviam sido identificados, examinados e colocados sob supervisão médica.
Peste na Sibéria
A peste é endêmica na Sibéria, local do primeiro surto conhecido em humanos na pré-história. A bactéria que causa a doença, Yersinia pestis, está presente nos pequenos mamíferos selvagens, típicos da região, e em suas pulgas. Apesar da origem no país, é raro que russos sejam diagnosticados com a doença. Casos em outras partes do mundo, no entanto, ocorrem todos os anos, principalmente no continente africano.
A peste se apresenta em três formas, afetando diferentes partes do corpo. A peste pneumônica, uma infecção dos pulmões, leva o paciente a tossir e expelir gotículas infecciosas pelo ar. Se identificada rapidamente, pode ser tratada com antibióticos. Mas se não for tratada, pode ser fatal em um a seis dias.





