A Nasa deu um novo passo na exploração do Universo com o lançamento do Telescópio Espacial Nancy Grace Roman, no domingo (30). Apelidado de “máquina de descobertas”, o observatório foi projetado para ampliar significativamente a capacidade de mapear o cosmos e investigar alguns dos maiores mistérios da astronomia.
Com um campo de visão cerca de 100 vezes maior que o do Hubble, o Roman poderá observar grandes áreas do céu de uma só vez. A expectativa é que, em apenas cinco anos de missão, o telescópio produza um mapa tridimensional do Universo muito mais abrangente do que os levantamentos realizados anteriormente.
O observatório deverá mapear cerca de 50 vezes mais céu do que o Hubble conseguiu cobrir em aproximadamente 30 anos de operação. Em seu principal levantamento, previsto para durar mais de um ano, o Roman poderá observar mais de 2 bilhões de galáxias.
Um século de trabalho em apenas um mês
Apesar de possuir um espelho primário de 2,4 metros — do mesmo tamanho do espelho do Hubble —, o Roman foi desenvolvido para realizar grandes levantamentos do céu com muito mais rapidez.
Segundo McEnery, cientista sênior do projeto, o novo telescópio tem sensibilidade e nitidez semelhantes às do Hubble, mas seu amplo campo de visão permite acelerar drasticamente as observações.
Na prática, o Roman poderá mapear toda a Via Láctea em cerca de um mês, tarefa que poderia levar aproximadamente um século para ser realizada pelo Hubble.
A combinação dos dois telescópios também deverá ser importante para a ciência. “Juntas, as missões vão se complementar, nos dando uma visão mais completa do cosmos”, afirmou Nicky Fox, administradora associada da Diretoria de Missões Científicas da Nasa.
Busca por matéria escura e exoplanetas
O Roman foi projetado para investigar questões fundamentais sobre o Universo, incluindo a natureza da matéria escura e da energia escura. O telescópio também permitirá testar teorias sobre a gravidade em grandes escalas e procurar exoplanetas, que são planetas localizados fora do Sistema Solar.
O observatório ficará em uma região do espaço conhecida como Ponto de Lagrange 2 (L2), a cerca de 1,6 milhão de quilômetros da Terra. A posição permite uma observação mais estável do cosmos.
Estrutura mais leve e grande capacidade de dados
O espelho principal do Roman tem 2,4 metros de diâmetro e pesa cerca de 186 quilos, menos de um quarto do peso do espelho do Hubble.
O telescópio também conta com seis painéis solares, cada um medindo aproximadamente 2 por 3 metros, além de uma antena com refletor de rádio de 1,7 metro de diâmetro.
Outro destaque é a quantidade de cabos elétricos. Se fossem esticados, os fios utilizados no observatório alcançariam cerca de 72 quilômetros.
Toda essa estrutura permitirá ao Roman transmitir aproximadamente 1 terabyte de dados por dia, um volume equivalente a cerca de 1 milhão de músicas.

Quando o Roman começará a produzir imagens?
O telescópio foi desenvolvido ao longo de aproximadamente uma década, com custo estimado em US$ 4,3 bilhões.
Após o lançamento, o observatório deverá levar cerca de três meses para chegar à posição orbital definitiva, a 1,6 milhão de quilômetros da Terra.
As primeiras imagens do Nancy Grace Roman estão previstas para janeiro, quando os cientistas poderão começar a explorar uma nova etapa da observação do Universo.





