Mundo

Três anos após o 7 de Outubro, ataques israelenses em Gaza continuam e mortos sobem

Novos bombardeios israelenses deixaram ao menos três mortos na Faixa de Gaza nesta quarta-feira, 7, segundo autoridades palestinas, no marco de três anos do ataque do Hamas que desencadeou a guerra no enclave palestino. Na Cidade de Gaza, o hospital Al-Shifa informou que duas pessoas morreram durante a noite em um ataque israelense. Em Khan Yunis, no sul da Faixa, o hospital Nasser registrou a morte de um homem de 60 anos após outro ataque, que também deixou vários feridos.

Os bombardeios ocorreram apesar do cessar-fogo anunciado em outubro de 2025 por Donald Trump. Na ocasião, o presidente americano declarou que a guerra havia terminado e que a “paz no Oriente Médio” havia sido alcançada. Desde então, a trégua foi marcada por episódios de violência e novas mortes.

Marca de três anos

Em Israel, a data foi marcada por homenagens às vítimas do ataque do Hamas. Um minuto de silêncio nacional foi realizado pela manhã, no mesmo horário em que os primeiros ataques começaram, em 7 de outubro de 2023. Ao meio-dia, familiares das vítimas e grupos da sociedade civil, além de universidades, hospitais e empresas, também participaram de um minuto de reflexão.

Cerimônias foram programadas para o local do festival de música Nova, na região da Floresta de Re’im, onde a rave Universo Parallelo foi um dos principais cenários do ataque, bem como em outras partes do país. À noite, uma cerimônia nacional em Tel Aviv deve reunir dezenas de milhares de pessoas. O evento é organizado pelo movimento Kumu (“Levante-se”, em hebraico), formado por sobreviventes e familiares de vítimas.

Grande parte das homenagens foi organizada por grupos da sociedade civil. Além de lembrar os mortos, os atos também cobram a abertura de um inquérito sobre a condução da guerra pelo governo do primeiro-ministro Benjamin Netanyahu.

O ataque de 7 de outubro deixou cerca de 1.200 mortos em Israel, segundo autoridades do país, e levou à captura de 251 pessoas, que foram levadas como reféns para Gaza. O episódio desencadeou a ofensiva militar israelense na Faixa.

Cessar-fogo

Em Gaza, o cessar-fogo não encerrou a violência. Desde o início da trégua, 1.462 palestinos foram mortos, de acordo com o Ministério da Saúde de Gaza, controlado pelo Hamas, que não distingue civis de combatentes. Ao todo, a pasta contabiliza mais de 74.200 mortos no território desde o início da guerra. As Nações Unidas utilizam os dados do ministério como referência para acompanhar o número de vítimas.

Como parte do acordo, 20 reféns vivos foram libertados, enquanto 1.968 palestinos foram soltos de prisões israelenses. Segundo autoridades israelenses, parte dos palestinos libertados estava detida sem acusações formais.

Israel afirma que suas operações são compatíveis com o acordo de cessar-fogo e acusa o Hamas de violações dos termos. O governo de Benjamin Netanyahu mantém controle sobre uma parcela significativa do território de Gaza, enquanto centenas de milhares de palestinos continuam deslocados e vivem em barracas ou abrigos improvisados, muitas vezes cercados pelos escombros de prédios destruídos.

Analistas descrevem o período desde a trégua como uma fase de violência de baixa intensidade, marcada por ataques pontuais e mortes, enquanto as negociações para uma solução política avançam lentamente.

O Conselho de Paz criado por Trump ficou responsável por conduzir os esforços de reconstrução e pela implementação de um processo político para Gaza, mas especialistas afirmam que poucos avanços concretos foram registrados no território.

A situação humanitária continua sendo outro obstáculo. Embora Israel tenha ampliado a entrada de caminhões com ajuda depois do cessar-fogo, moradores relatam dificuldades para obter alimentos e outros produtos básicos. Centenas de milhares de pessoas permanecem sem moradia, em meio à destruição de 80% das construções de Gaza.

Ricardo Motta

Ricardo Motta é jornalista e responsável editorial do Rio Hoje Notícias. Atua na cobertura de política, cidades, segurança pública, esportes e acontecimentos do estado do Rio de Janeiro. Contato editorial: contato@riohoje.com.br.
Botão Voltar ao topo