Contexto da Violência em Copacabana
A recente morte de Cláudio Rafael Landeiro Moreira, de 37 anos, destaca um grave problema de segurança no Rio de Janeiro: a ampliação do serviço de vigilância clandestina. O incidente aconteceu na madrugada do dia 12 de agosto em Copacabana, onde Moreira foi brutalmente assediado por um grupo de supostos seguranças, levando a um linchamento após uma falsa acusação de roubo.
Davi Santos Machado, um dos envolvidos, confessa ter recebido R$ 1.500 mensais para despachar, em equipe, uma área que inclui trechos críticos da região. A atuação irregular se revela mais frequente à medida que equipes como a da 12ª DP de Copacabana investigam o caso. O delegado Ângelo Lages menciona que o responsável, identificado apenas como Aluísio, será convocado para depor.
Dados Alarmantes sobre Vigilância Ilegal
De acordo com a Federação Nacional das Empresas de Segurança e Transporte de Valores (Fenavist), existem cerca de 53.454 vigilantes regularizados no Estado, porém estima-se que mais de 100 mil atuam de maneira ilegal. O crescimento alarmante de profissionais com habilitações vencidas, que aumentou 17,61% entre 2022 e 2026, ilustra a gravidade da situação.
Essa realidade se reflete em diversas áreas do Rio, com a Zona Sul sendo particularmente afetada. Leandro Siqueira, diretor do Sindicato dos Vigilantes, destaca que a desqualificação para o trabalho se expandiu em regiões como Madureira, Niterói e Santa Cruz.
Regulamentação e Responsabilidade
A atividade de vigilância no Brasil é regulamentada pela Polícia Federal, que estabelece critérios rigorosos, incluindo nacionalidade brasileira e idade mínima de 21 anos. No entanto, a fiscalização é considerada deficiente. Siqueira observa que a Delegacia de Segurança Privada não possui pessoal suficiente para monitorar a situação.
Além dos vigilantes irregulares, a polícia descobriu que três comerciantes estavam contratando os serviços da equipe de Davi. Conforme a Lei nº 14.967/2024, os contratantes também têm responsabilidade sobre a regularidade das empresas que contratam, e podem sofrer sanções por infringências.
Implicações Locais
No comércio de Copacabana, existe uma relutância em admitir o uso de vigilância clandestina. Embora os porteiros e lojistas reconheçam a presença de Cláudio, há um desvio de responsabilidade sobre a opção de contratar segurança. O delegado Lages enfatiza a necessidade de a polícia ser acionada em situações como essa, desmistificando a crença de que sua autovigilância é legítima.





