O centenário de nascimento de Inezita Barroso, uma das principais responsáveis pela preservação e difusão da música caipira brasileira, ganha uma homenagem especial nos palcos com “Eu Me Agarro na Viola – 100 anos de Inezita Barroso”. O espetáculo musical estreia no dia 26 de setembro, no SESI Itaperuna, e propõe um mergulho na trajetória de uma artista que fez da viola, da pesquisa e da arte instrumentos para romper barreiras e abrir caminhos para outras mulheres.
Idealizada por Karol Schittini, a montagem é contemplada pelo Edital SESI Mosaico, na categoria Multilinguagens, que transita pela história de Ignez Magdalena Aranha de Lima, a Inezita Barroso, que foi cantora, atriz, instrumentista, bibliotecária, folclorista, professora e apresentadora de rádio e televisão, além de ter recebido títulos de doutora honoris causa e integrar a Academia Paulistana de Letras.
Pioneira, foi a primeira mulher a gravar uma canção sertaneja, em 1938, e construiu uma carreira marcada pela pesquisa e valorização das manifestações musicais de diferentes regiões do Brasil. “Eu Me Agarro na Viola” percorre acontecimentos da vida da artista a partir das canções que ela recolheu e interpretou ao longo de mais de cinco décadas de trajetória.
“Escolher as canções recolhidas e interpretadas por Inezita foi também uma maneira de percorrer o Brasil por meio de sua música. A montagem busca revelar a riqueza e a diversidade desse legado, aproximando a tradição da viola caipira de novas gerações e fazendo com que a história de Inezita continue inspirando, emocionando e abrindo caminhos”, afirma Karol Schittini.
Com a direção de Adriana Schneider e dramaturgia de Márcia Zanelatto, o espetáculo transita entre as experiências da homenageada no campo e na cidade, as viagens de pesquisa pelo país e o contato com diferentes manifestações da cultura popular brasileira. O repertório foi selecionado entre os quase 70 álbuns lançados por Inezita e destaca a diversidade de gêneros e tradições presentes em sua obra.
A montagem também lança luz sobre os desafios enfrentados por Inezita por ser mulher em ambientes predominantemente masculinos. Na década de 1950, com um Jeep Overland, um gravador e uma viola, a artista percorreu diferentes regiões brasileiras para registrar cantos, modas, pontos e manifestações tradicionais. Sua trajetória revela não apenas a dimensão artística de seu trabalho, mas também sua importância como pesquisadora e guardiã da memória cultural brasileira.
“O espetáculo é uma forma de manter viva a memória de uma mulher que enfrentou muitos limites impostos às artistas de seu tempo e transformou a viola em instrumento de pesquisa, resistência e expressão. Queremos apresentar ao público a dimensão dessa trajetória e mostrar como seu trabalho continua atual e necessário, especialmente para as mulheres que seguem ocupando e transformando a música e as artes brasileiras”, afirma Karol Schittini, idealizadora do espetáculo.
Com equipe de criação formada integralmente por mulheres, o espetáculo estabelece ainda um diálogo entre a tradição e as novas gerações, especialmente meninas e mulheres que encontram na história de Inezita uma referência de autonomia, resistência e criação. Sendo o quarto solo teatral de Karol, com esta realização a artista celebra 30 anos de dedicação ao teatro, ao unir suas habilidades multilinguagem, ao lado de artistas com exímia trajetória nas artes. A proposta combina diferentes linguagens artísticas para preservar a memória da artista e ampliar o acesso à cultura da viola caipira.
Sobre a Trupiniquim Produções
Trupiniquim é uma micro-empresa individual de Produção Teatral, criada em 2012. Realizou mais de 20 produções em diversas linguagens cênicas, em três regiões do Brasil. Entre 2015 e 2023 produziu turnês que incluem as atividades de teatro, música, contação de histórias e oficinas em 4 países da América do Sul, e 5 países da Europa. Nos últimos anos co-produziu eventos como festivais e exposições.
Com a última montagem, a performance “E-ZOO”(2021) foi Contemplada no Edital SESC Pulsar 2022 e, em 2024, o curta homônimo foi selecionado/ licenciado pelo Edital SESC – Baixada em Foco. Realizou o projeto “Transformarte – Oficinas Criativas de Música e Performance” pelo Edital FOCA – Fomento à Cultura Carioca – SMC/ RJ 2023, como terceiro colocado.

Ficha Técnica
Karol Schittini – idealização, pesquisa e atuação
Joyce Sales – Sanfona
Adriana Schneider – Direção de Cena
Marcia Zanelatto – Dramaturgia
Claudia Elizeu – Direção Musical
Alexandra Arakawa – Direção de Arte
Nina Wirtti – Preparação vocal
Realização – Trupiniquim Produções
Serviços
Espetáculo “Eu Me Agarro na Viola – 100 anos de Inezita Barroso”
Estreia: 26 de setembro, às 19 horas
Sesi Itaperuna – Av. José Cerqueira García, 895 – Gov. Roberto Silveira, Itaperuna – RJ
Classificação indicativa: 14 anos
Duração: 60 minutos
Ingressos: Entrada franca. Ingressos retirados na bilheteria do teatro a partir das 18h.





