Durante décadas, a relação entre exercícios físicos e saúde cardíaca era praticamente sinônimo de atividades aeróbicas, como caminhar, correr ou nadar. A musculação, tradicionalmente vista como uma prática voltada para ganhar força e estética, começou a ganhar uma nova abordagem à medida que a ciência revelou que o treinamento de força também exerce efeitos benéficos significativos para o coração.
Esta mudança no paradigma é crucial para quem apresenta fatores de risco cardiovascular, como hipertensão, diabetes e obesidade. A questão que antes era: “Qual tipo de exercício é mais benéfico?” agora se transforma em: “Qual combinação é mais adequada para mim?”.
Atividades aeróbicas são essenciais para o corpo, pois envolvem grandes grupos musculares em movimento contínuo, exigindo um aumento da oxigenação. Exemplos incluem caminhada rápida, corrida, ciclismo e natação. A prática regular de exercícios aeróbicos é fundamental, pois melhora a capacidade cardiorrespiratória e auxiliar no controle da pressão arterial, no gerenciamento do peso e na melhora de diferentes fatores metabólicos.
Um dos indicadores mais significativos é o condicionamento cardiorrespiratório. Estudos indicam que uma baixa capacidade física está intimamente ligada ao aumento do risco de doenças cardíacas e a uma maior taxa de mortalidade, enquanto a melhoria dessa aptidão está correlacionada a melhores resultados de saúde.
A musculação é frequentemente mal interpretada na discussão sobre saúde cardiovascular. Quando se opta por levantar pesos, não se está apenas desenvolvendo grupos musculares; na verdade, o músculo esquelético desempenha um papel vital no metabolismo da glicose e na sensibilidade à insulina. Essa conexão faz com que o treinamento de força seja ainda mais crucial à medida que envelhecemos.
Preservar a massa muscular é especialmente importante para indivíduos com resistência à insulina ou diabetes, uma vez que o músculo é um dos principais tecidos responsáveis pelo aproveitamento da glicose no sangue. A perda gradual de força e massa muscular à medida que envelhecemos pode variar de uma simple questão de capacidade física a um risco aumentado pela piora da saúde metabólica.
Quando se analisa a questão aeróbico versus musculação, é importante perceber que ambos os tipos de exercício oferecem benefícios complementares. O exercício aeróbico tem um impacto significativo na capacidade cardiorrespiratória, enquanto a musculação é fundamental para a força e a saúde muscular. Uma meta-análise publicada em 2025 mostrou que a combinação de diferentes modalidades apresenta melhorias na aptidão cardiorrespiratória de pessoas com doenças cardiovasculares, reforçando a importância de abordagens estruturadas e adaptadas.
Para a maioria das pessoas com problemas cardíacos, a resposta à questão da musculação é positiva, mas deve haver uma avaliação médica prévia. A ideia de que todos os pacientes cardíacos devem evitar a musculação foi gradualmente substituída por uma compreensão que prioriza a individualização do treinamento.
A intensidade, volume e tipo de exercícios resistidos devem ser ajustados conforme as condições clínicas, pois durante atividades muito intensas, pode haver retenção da respiração, provocando picos de pressão arterial. Por isso, a carga, as repetições e demais fatores precisam ser adaptados ao perfil do paciente.
A medicina personalizada é cada vez mais relevante, e isso se aplica de forma crítica ao exercício físico. Prescrever exercícios com base em uma abordagem genérica, como “150 minutos por semana”, pode não atender às necessidades de individuos com riscos cardíacos elevados.
Fatores como idade, condição cardiovascular, histórico familiar e uso de medicamentos influenciam diretamente na resposta ao exercício. Por isso, um plano de treino que é ideal para uma pessoa pode não ser apropriado para outra, e é fundamental que os pacientes consigam manter suas rotinas de exercícios para alcançar benefícios duradouros.
Portanto, a antiga dicotomia entre aeróbico e musculação está se tornando obsoleta. O conhecimento científico atual sugere que uma abordagem mais holística, que desenvolva tanto o sistema cardiorrespiratório quanto a força muscular, é a mais eficaz. Para aqueles em risco cardiovascular, o exercício representa uma ferramenta poderosa de prevenção, onde a “dose ideal” não é a máxima, mas sim a que pode ser realizada com segurança e continuidade.
Assim, incorporar exercícios de força e atividades aeróbicas em um regime de saúde é muitas vezes mais eficaz do que escolher um único tipo, enfatizando a importância de um estilo de vida ativo e saudável ao longo da vida.





